Monthly Archives: julho 2016

14jul/16
medical doctor with stethoscope on white background

Investigação Básica do Casal Infértil

Define-se como infertilidade conjugal a incapacidade de um casal engravidar após 18 meses de relacionamento sexual, sem o uso de método contraceptivo eficaz (Organização Mundial de Saúde – OMS). A esterilidade é denominação que abarca a impossibilidade total do indivíduo gerar um filho com o seu próprio genoma (agenesia gonadal) ou no seu corpo (ausência de útero). Esse termo tem conotação individual, enquanto que a infertilidade envolve os Continuar a Leitura

family

Resgate sua Fertilidade

Como desacelerar o relógio biológico.

Quando a mulher posterga a época de engravidar em beneficio da sua formação profissional é necessário ficar ciente de que o seu patrimônio de óvulos vai decrescendo com o evolver da idade.  Ao nascer ,  os ovários contem cerca de 2 milhões de gametas ; esse número se reduz drásticamente para 400.000 quando a mulher tem a primeira menstruação ( menarca ). Êsse fenômeno é denominado  apoptose ou morte celular programada , ocorrendo naturalmente entre os primatas.  A partir da menarca inicia-se o ciclo reprodutivo feminino havendo um consumo de 800 a 1000 gametas a cada ovulação , sendo que habitualmente apenas um óvulo é fecundado para garantir a gravidez; os demais sofrem processo de regressão incorporando-se ao tecido fibroso ovariano.  Até os 30 anos o número e a qualidade dos óvulos é suficiente para assegurar um índice de fertilidade satisfatório, porém a partir desta idade começa o declínio gradativo em decorrência da aceleração da perda da reserva de óvulos e também da deterioração da sua qualidade genômica.  Os dados estatísticos de centros de medicina reprodutiva apontam para uma queda dos índices de fertilidade a partir  dos 35 anos acendendo uma luz amarela para as mulheres que desejam engravidar.  A mídia tem chamado a atenção sobre esse fato através de várias publicações leigas ,  mas parece que isso não tem sido suficiente para que a mulher  mude o seu comportamento postergando o momento de engravidar para mais adiante.  Envolvida na formação profissional e privilegiando o status sócio-economico ela se depara com uma realidade inexorável:  engravidar nas proximidades dos 40 anos.  Essa mulher conseguiu praticamente tudo que almejou profissionalmente tornando-se uma vencedora e imagina que a partir destas conquistas ela está apta a investir na formação familiar.

Nesta fase da vida reprodutiva cerca de 65% dos óvulos estão manifestando alterações que condicionam  embriões defeituosos acarretando menor taxa de gravidez e maior taxa de abortamento por intento.  Logo diminuem as possibilidades de ter um “ bebê em casa “. Deve-se levar em conta ainda o estilo de vida e comportamento social ,  influenciando notoriamente a função germinativa dos ovários.  Daí surge uma constatação inequívoca : idade biológica nem sempre condiz com idade cronológica.  Atualmente temos condições para aferir a idade biológica ovariana, utilizando exames subsidiários com alto grau de acuracidade ,  posicionando a mulher com respeito ao seu desempenho reprodutivo.
A área de medicina reprodutiva evoluiu notavelmente nos últimos 35 anos, particularmente em decorrência do surgimento da fertilização in vitro . Os avanços no conhecimento da fisiologia foram espetaculares em virtude da aplicação de tecnologia sofisticada que possibilitou o uso da  genética e biologia molecular decifrando os mecanismos que condicionam os eventos celulares intrínsicos.  As taxas de gravidez utilizando a fertilização in vitro aumentaram significativamente alcançando níveis de 50 a 55 % em mulheres com idade inferior a 35 anos,  porém o fator idade passou a constituir um desafio decorrente da queda do patrimônio de óvulos, de tal maneira que após os 40 anos o sucesso cai dramaticamente em decorrência de embriões defeituosos e/ou falha na receptividade da cavidade do útero. Após sucessivos fracassos algumas mulheres são direcionadas à óvulodoação como última alternativa para engravidar.  A frustração é enorme pois todo ser humano quer perpetuar-se através de um descendente que carregue o seu genoma.
Êsse crepúsculo reprodutivo é inexorável ou a atuação  médica pode reverter esse cenário desfavorável , possibilitando um resgate funcional dos ovários que propicie à  mulher a realização do desejo de ter filhos?  As evidências cientificas mais recentes trouxeram um facho de luz que renovou a nossa esperança em recuperar a fertilidade ovariana; pois algumas substâncias podem ativar as organelas do citoplasma celular propiciando uma recuperação funcional do contingente de óvulos.  Estou me referindo ao uso de hormônios e nutrientes específicos para ativar particularmente as mitocôndrias, que constituem a maior fonte de energia das células.  No entanto antes de utiliza-los é necessário fazer uma avaliação personalizada envolvendo o arcabouço genético, a exposição ao ecosistema, os hábitos de vida relacionados à nutrição , atividade física e emocional do casal.

Visando esse grupo de mulheres com dificuldade para engravidar devido a reserva ovariana comprometida criamos uma abordagem cuja filosofia se alicerça em 4 pilares no atendimento: personalizado,  pró-ativo, preditivo e preventivo tendo como meta o equilíbrio mental, físico e ecológico do indivíduo.

Prof. Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira
Diretor da Profert Medicina Reprodutiva – SP
Rua Groenlândia, 183 – Jardim Paulista – SP – CEP 01434-000
Tel. (11) 3637-1055

probioticos-1

Papel dos Probióticos e Prebióticos na Microbiota Intestinal

Viver mais deve ser celebrado com ufanismo, mas é necessário usufruir de qualidade de vida e de bem-estar para se chegar à idade avançada. A atenção médica à doença exige dotação orçamentaria expressiva e, mesmo assim, não alcança índices satisfatórios em decorrência do elevado custo dispendido às doenças crônicas. A saúde depende basicamente da herança genética modulada pelo estilo de vida e pelas condições do ambiente. Faz-se necessário mais atenção a salutogênese, ou seja, preservar a saúde utilizando quatro pilares essenciais: nutrição adequada, atividade física, meio ambiente saudável e vida emocional equilibrada. O corpo humano deve ser considerado como um todo, embora, por questões didática, seja dividido em órgãos e sistemas que se intercomunicam com a finalidade de assegurar a homeostase. O sistema gastrointestinal se assemelha à raiz de uma árvore, onde se processa a digestão, a assimilação de nutrientes e a excreção. O intestino é o tubo longo (com aproximadamente oito metros) constituído de um revestimento celular especifico (enterócitos). Em sua luz habita cerca de um trilhão de microrganismos, os quais são portadores de 600.000 genes codificadores da atividade de proteínas e de enzimas que, em homeostase, devem estar em equilíbrio.¹ Esse imenso contingente de bactérias, vírus, fungos e vermes imersos em uma secreção especifica constitui a denominada microbiota intestinal. Nossa saúde depende essencialmente da presença de uma microbiota que exiba predominância de bactérias que garantam a existência de um meio ácido e fermentativo na luz intestinal. Essa tarefa é desempenhada por alimentos funcionais e especialmente probióticos e prebióticos.²

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (2001),³ probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro. Atuam sobre a microbiota intestinal, resultando em aumento da resistência contra patógenos e e utilizando-se de efeitos antagônicos, de competição e de modulação imunológica. Assim, estimulam a multiplicação de bactérias benéficas residentes no hospedeiro, em detrimento da proliferação das potencialmente nocivas, reforçando o mecanismo natural de defesa do hospedeiro.4 Os principais probióticos são os gêneros lactobacillis (acidophilus, helveticus, casei, reuteri, rhamnosus, paracasei), bifidobacterium (bifidum, breve, lactis, animalis, longum, thermophilum) e, em menor escala, enterococus faecium. O íleo terminal e o cólon são locais preferenciais para a colonização dessas bactérias.5

 

Prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que agem estimulando seletivamente a proliferação ou a atividade de bactérias benéficas no cólon. Adicionalmente podem inibir a multiplicação de patógenos, assegurando a homeostase e a saúde do hospedeiro. Agem predominantemente no intestino grosso, embora exerçam atuação positiva sobre microrganismos no intestino delgado.6 Os principais prebióticos são frutanos (inulina e oligossacarídeos), sendo considerados alimentos funcionais, uma vez que exercem influência sobre processos fisiológigos e bioquímicos, podendo reduzir os riscos de diversas doenças. As principais fontes de frutanos são a chicória e a alcachofra-de-jerusalém.7

 

Simbiótico é o produto que resulta da combinação de probiótico com prebiótico. Essa associação é vantajosa, podendo resultar em melhor desempenho dos probióticos.8

 

As fibras são elementos essenciais para a função intestinal, estando incluídas na categoria de carboidratos. Podem ser classificadas como solúveis, insolúveis ou mistas; fermentáveis ou não fermentáveis. A inulina e a oligofrutose são fibras solúveis e fermentáveis que oferecem substrato seletivo para as bactérias intestinais benéficas produzirem a fermentação, levando à produção de ácido lático e de ácidos graxos de cadeia curta (ácido butírico). Como consequência, ocorrem a redução do pH local e a estimulação de proliferação celular do cólon.9

 

A microbiota saudável impede o crescimento de bactérias patogênicas, favorecendo o bem-estar e a prevenção de doenças, particularmente no trato gastrointestinal. É composta de bacteroidetes, firmicutes e actinobactérias.

 

BENEFÍCIOS DOS PROBIÓTICOS E DOS PREBIÓTICOS

 

Pode-se elencar benefícios imunológicos através da ativação dos macrófagos locais para produção de IgA secretora, modulação das citoquinas e indução de hiporresposta aos antígenos alimentares. Dentre os benefícios não imunológicos destacam-se: o incentivo à competição com os patógenos pelos nutrientes, alteração do pH local e produção de bacteriocinas para inibir os agentes nocivos. Dentre outros efeitos citam-se o estímulo à fagocitose de radicais superóxidos, à produção de mucina e ao incremento da função de barreira intestinal. 10

 

As aplicações clínicas consistentes englobam a prevenção e o tratamento da diarreia aguda, associada ao uso de antibióticos. Pesquisas ainda inconsistentes apontam para o tratamento da diarreia induzida por radioterapia e terapia do Helicobacter bylori. A microbiota saudável poderia também interferir favoravelmente na evolução da síndrome inflamatória do intestino na síndrome do cólon irritável e na prevenção do câncer do cólon.

 

Alguns estudos têm demonstrado uma interação entre fatores hereditário e ambiental, geradora de mutações e polimorfismos, afetando vários estágios de desenvolvimento da concepção ao período pós-natal precoce, podendo determinar efeitos a longo prazo na criança ou no adulto. Durante a gravidez, as funções metabólica e imunitária do feto dependem da mâe na vida intrauterina. A transmissão de bavtérias da mãe para o neonato, durante o parto e a lactação, parece influenciar a colonização do intestino da criança, condicionando consequências sobre sua saúde. Nesse contexto, a modulação intencional da composição da microbiota através do uso de probióticos durante os períodos pré-natal e pós-natal precoce tem sido proposta como estratégia para reduzir o risco de doenças. A disbiose intestinal é relativamente comum e não raro ignorada pela paciente e pelo médico.

 

O tocoginecologista deve dar atenção especial ao hábito intestinal da gestante com a finalidade de caracterizar sua microbiota, devendo intervir com a proposta de dieta alimentar adequada para favorecer a ingestão de prebióticos e administrar probióticos com o intuito de criar um microambiente intrauterino saudável, prevenindo, assim, a manifestação de doenças na infância e na vida adulta.

 

1-World Gastroenterology Organization, 2001.

 

2-Roberfroid MB. Functional food concept and its application to prebiotics.

Dig Liver dir. Rome, v.34.cup.2.p5. 105-5.110.2002.

 

3-World Health Organization, 2001.

 

4-Puupponen-Pmiã Poutanen K. Development of functional ingredients of gut

Health Trend food soi Technol. Amsterdam, v13.p.3-11.2002.

 

5-Bielecka M. Biedrzycka E. Majkowska A. Selection of prebiotics and probiotics for symbiotics and confirmation of their in vivo effectiveness.

Food res int. Amsterdam v.35, n2-3.p.125-131,2002.

 

6-Matilla Sandhoim T. Saareia M. Technological challenges for fature probiotics foods int. Diary J. Amsterdam, v12.p.173-182,2002.

 

7-Kaur IP. Chopra K. Saine A. Probiotics potential pharmaceutical applications

Eur J Pharm Sci, Amsterdam v.15.p.109-116.2002.

 

8-Holzapfel WH, Schillinger V. Introduction to pre and probiotics. Food res

Int, Amsterdam, v.35.n.2-3.p.109-116.2002.

 

9-Carabin IG, Flamm WG Evaluation of safety of inulin and oligofructose as dietary fiber. Regul toxicol. Pharmacol, New York, v.30.p.268-282. 1999.

 

10-Guarner F. Malagelada JR Gut fiora in health and disease

Lancet,v.360.p.512-518.2003.

Prof. Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira
Diretor da Profert Medicina Reprodutiva – SP
Rua Groenlândia, 183 – Jardim Paulista – SP – CEP 01434-000
Tel. (11) 3637-1055

DNA-strand

Medicina Funcional Personalizada em Infertilidade Conjugal

Danilo Perestrello, médico psicanalista, publicou o livro: “A medicina da pessoa” em 1989, trazendo à luz o conceito de que a doença não é algo que vem de fora e se superpõe ao homem, mas sim o modo peculiar da pessoa se expressar em condições adversas. O estudo da biografia do individuo é fundamental para entender as Continuar a Leitura