Drogas e Infertilidade

Desde os tempos imemoriais o ser humano tem recorrido ao uso de drogas para escapar da realidade e viver um mundo de fantasia. É extremamente chocante constatar que grandes celebridades do esporte, das artes e de outras profissões utilizam-se de drogas para conseguir alcançar níveis de satisfação e produtividade nas suas áreas de atuação.  O consumo de drogas ilícitas vem aumentando substancialmente tornando-se um pesadelo para a humanidade afetando o relacionamento no âmbito familiar e provocando repercussões sociais e na saúde dos indivíduos.

As drogas podem atuar de diferentes maneiras interferindo no comportamento do individuo; podendo ser alinhadas em estimuladoras, perturbadoras e depressoras.

As drogas estimulantes aumentam a atividade do cérebro tornando os usuários mais excitados de com maior capacidade de resistir ao sono.  São muito utilizadas em baladas, nas vésperas de provas de avaliação, etc. As mais comuns são a nicotina, cafeína, cocaína e anfetamina.

As drogas perturbadoras modificam a percepção do cérebro, condicionando o aparecimento de alucinações e distorções de imagens.  Fazem parte desse grupo a maconha, LSD-25, Santo Daime, cogumelo, cacto, etc.

As drogas depressoras determinam queda de atividade cerebral tornando as pessoas alienadas, desmotivadas e hipoativas. O álcool, inalantes, solventes, ansiolíticos, barbitúricos, ópio, morfina, codeína, heroína, etc constituem esse extenso grupo.

Outras drogas estão disponíveis para o consumo, como o ecstasy, o crack, o narguile, GHB (gamahidroxibutirato, Special K (cetamina), etc e infelizmente o seu uso está se disseminando nas mais diferentes camadas sociais da população.

Além dos efeitos maléficos sobre a saúde do usuário, afetando o corpo e a mente, essas drogas também prejudicam a fertilidade masculina e feminina. Além do mais existe uma associação das drogas com doenças sexualmente transmissíveis tornando o casal mais suscetível a distúrbios relacionados à obtenção e evolução saudável da gravidez.

As drogas agem de maneiras diferentes para perturbar a fertilidade tanto do homem como da mulher.  Algumas delas foram melhor estudadas e pode-se divulgar as avaliações cientificas sobre as mais usadas atualmente.

Maconha: também chamada marijuana, é a droga recreativa mais utilizada em todo o mundo. Estima-se que os indivíduos comecem a usá-la na adolescência, constituindo o maior grupo entre 16 a 24 anos. No entanto a sua utilização se estende até a 6ª década da vida, demonstrando o alto poder de dependência que a droga condiciona ao usuário.  O principio ativo é o THC (tetrahidrocannabinol).  A sua introdução a partir da adolescência, após seis meses de uso, com freqüência de 4 vezes por semana, pode determinar queda da concentração e motilidade dos espermatozóides. Existe também um declínio de formas normais de espermatozóides, havendo o risco de lesão do seu DNA danificando os cromossomos. Pode ocorrer também queda dos níveis de testosterona, com conseqüências adversas sobre o interesse sexual, e ainda a presença de agentes inflamatórios no trato genital. Na mulher as repercussões se instalam na função ovulatória, determinando alterações do ciclo menstrual e dificuldade para ovular.
O haxixe é derivado da maconha, sendo feito a partir da sua resina, sendo ainda mais potente que a fonte original.  Com freqüência causa dependência psicológica e repercussões sobre a fertilidade.

Cocaína: Estima-se que esse psicotrópico seja a segunda droga mais utilizada no mundo.  Age principalmente no sistema nervoso central, causando dependência psicológica, induzindo o individuo ao consumo compulsivo. As principais vias de consumo são: inalação, absorção pelas mucosas (gengivas), intra-venosa.  No inicio exalta o desempenho do individuo dando-lhe um bem estar incrível, porém com o passar do tempo podem ocorrer efeitos indesejáveis, como agressividade, irritabilidade, falta de concentração, alucinações, etc. No que tange à fertilidade o homem é acometido com queda do nº de espermatozóides, alterações de morfologia, aumento de leucócitos no sêmen e diminuição do desejo sexual.  Na mulher podem aparecer alterações hormonais (aumento da prolactina) desencadeando problemas com a ovulação.

Heroína e opiáceos: São derivados de uma planta denominada papoula.  Causa dependência psicológica e física, sendo uma das drogas mais prejudiciais para a saúde.  É consumida sob a forma de um pó branco-amarelado, através da via nasal (aspiração), fumada e intra-venosa.  Os usuários ficam eufóricos sentindo-se super-heróis. Os efeitos indesejáveis são náuseas, vômitos, ansiedade, sonolência, lentidão dos reflexos. Após um tempo de uso pode ocorrer alterações seminais prejudicando o número, a motilidade e a morfologia dos espermatozóides.  Na mulher ocorrem perturbações do ciclo ovulatório gerando infertilidade ainda queda da libido.

Ecstasy: Pode ser usado como tratamento psiquiátrico em quadros selecionados, sendo derivado da anfetamina. Produz inicialmente sensação de prazer, euforia, leveza, alegria e sensação de poder seguido depois de comportamento agressivo.  É relativamente nova sendo consumida principalmente em casas noturnas, levando a dependência física e psicológica.  Afeta a fertilidade do homem diminuindo a libido e a qualidade do sêmen.  Na mulher pode levar a perturbações do ciclo menstrual e diminuir a reserva de óvulos.

Drogas lícitas e infertilidade: Existem duas drogas incorporadas aos hábitos e comportamento do individuo que comprovadamente causam malefícios à saúde. Embora consideradas lícitas podem determinar ao longo do tempo danos consideráveis ao ser humano. A iniciação ao vicio pode iniciar-se desde a adolescência e levar a repercussões negativas sobre vários sistemas e órgãos do organismo. Estamos nos referindo ao tabaco e ao álcool que compõem um grupo de drogas denominadas recreativas.

Tabaco: Apesar das campanhas publicitárias desencorajando o seu uso estima-se que no Brasil haja 33,8% de usuários na população masculina e 29,3% das mulheres; sem levar em conta um enorme contingente de fumantes passivos. – O tabaco contém 4.000 substancias tóxicas, sendo que 60 delas são cancerígenas. Os efeitos desastrosos sobre o sistema pulmonar (câncer e enfisema), urinário (câncer de bexiga e próstata), vascular, ósseo, etc são bastante conhecidos e têm causado grande impacto sobre a política de saúde.  Atualmente a tributação de impostos governamentais sobre o cigarro chega a 70%, porém isso não tem sido suficiente para frear o seu uso.

A fertilidade do homem e da mulher é afetada de forma sorrateira em decorrência da ação tóxica das inúmeras substâncias que integram o tabaco, que são geradoras de radicais livres. A mulher fumante pode ter dificuldade para engravidar, interrupção da gravidez, retardo de crescimento fetal intra-uterino e recém nascido de baixo peso. Além disso o seu patrimônio de óvulos é reduzido dramaticamente em decorrência da ação tóxica das substancias do tabaco e a diminuição do fluxo sanguíneo das artérias que irrigam os ovários. A fertilidade masculina é afetada devido à ação  deletéria das substâncias tóxicas e dos radicais livres produzindo lesões na membrana e no DNA dos espermatozóides. Em casos extremos pode ocorrer morte celular (apoptose) provocando alterações significativas sobre o patrimônio de espermatozóides. Existe ainda repercussões negativas no comportamento sexual, sendo a mais freqüente a disfunção de ereção peniana decorrente de dificuldade de irrigação vascular.

Álcool: Apesar de ser uma droga lícita, inclusive divulgada com ênfase pelas agências publicitárias, o álcool tem efeitos devastadores sobre a saúde do individuo e sobre as suas relações sociais e familiares. O mais chocante e estarrecedor é que os jovens estão consumindo cada vez mais precocemente as bebidas alcoólicas, fazendo parte de um ritual de passagem entre a adolescência e a idade adulta. Nos últimos 5 anos os números estatísticos revelaram um aumento de 30% de usuários entre os jovens de 12 a 17 anos e de 25% entre os jovens de 18 a 24 anos. Na década de 70 os jovens começavam a beber ao redor dos 15 anos, sendo que nos últimos anos a ingestão se inicia a partir de 12 anos. A cerveja é a bebida preferida e mais bem aceita. Segundo a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) os jovens alcoolizados constituem 80% das pessoas que morrem em acidentes de trânsito ou homicídios. Vários estudos demonstraram que as bebidas alcoólicas, de qualquer natureza podem causar efeitos devastadores na saúde do usuário incluindo aumento da incidência de câncer das mamas, do aparelho gastrointestinal, cirrose hepática, depressão, maior risco de acidentes vasculares no cérebro, envelhecimento precoce, etc. Todas essas condições mórbidas podem se agravar se houver consumo concomitante de tabaco.

O consumo exagerado e persistente pode levar a repercussões negativas sobre a fertilidade masculina e feminina.  No homem podem ocorrer: queda da libido e do desempenho sexual, impotência, atrofia das células produtoras de testosterona, dificuldade de ereção e alterações da qualidade do sêmen.   Na mulher existem várias repercussões salientado-se a dificuldade para ovular, distúrbios menstruais, aumento do risco de abortamento e possibilidade de mal formação fetal.

Uma constatação preocupante é de que os indivíduos alcoolizados têm um comportamento sexual de risco expondo-se a doenças sexualmente transmissíveis (DST) principalmente as hepatites e AIDS. Atualmente a medicina reprodutiva tem realizado procedimento muito seguro de fertilização in-vitro, utilizando a técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI) com tratamento especial que evita a transmissão do vírus para o concepto.

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