Preservação de óvulos

Preservação de óvulos, eis a questão

Nos últimos 30 anos, as técnicas de reprodução assistida tiveram um avanço extraordinário depois do nascimento de Louise Brown. A fertilização in vitro, inicialmente usada na resolução de lesões na trompa de falópio, passou a ser indicada nos casos de alterações severas do sêmen endometriose moderada a grave, distúrbios ovulatórios, adversidade imunológica, etc.

As taxas de gravidez aumentaram com a evolução dos tratamentos com êxito de até 50% em mulheres com menos de 30 anos de idade. O mundo contemporâneo competitivo motivou a mudança do comportamento feminino, que passou a priorizar a carreira profissional, postergando a gravidez para depois dos 35 anos. Mesmo com tantas formas de manter a beleza por mais tempo, o envelhecimento do aparelho reprodutivo não acompanhou a jovialidade da aparência externa. O que poucas sabem é que acima dessa faixa etária os óvulos, quase sempre, apresentam alterações cromossômicas influenciadas pela idade e pelo impacto ambiental.

Os contratempos fizeram a medicina reprodutiva encontrar soluções para que essa nova mulher realizasse o sonho de ser mãe, mesmo em condições adversas. Hoje a técnica de criopreservação de gametas e embriões é a última palavra no tratamento da infertilidade. Milhares de casais podem se beneficiar de um banco de óvulos durante o tratamento, principalmente os portadores de câncer em idade fértil.

Dados epidemiológicos demonstram a necessidade da preservação da fertilidade em mulheres acometidas de câncer antes de serem submetidas à quimioterapia ou à radioterapia. A detecção precoce, associada a tratamento cirúrgicos, quimioterápico e radioterápico, cada vez mais eficazes, possibilita remissão significativa da doença ainda na idade reprodutiva.

Atualmente a sobrevivência das mulheres após o tratamento de câncer está aumentando, sendo natural o desejo de constituir um família. Aquelas que tiveram a oportunidade de criopreservar os óvulos poderão realizar o sonho de constituir uma família. Outra indicação é a criopreservação de óvulos para doação a mulheres com menopausa precoce, falhas de implantação, abortos de repetição ou malformações genéticas. As que optarem em postergar a maternidade também se beneficiam com a técnica.

Do ponto de vista jurídico o congelamento de óvulos é vantajoso em relação aos embriões, pois evitaria conflitos envolvendo o casal que solicite a separação matrimonial. A aceitabilidade das várias correntes religiosas é menos restrita, permitindo a realização do sonho de constituir uma família.

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