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Papel dos Probióticos e Prebióticos na Microbiota Intestinal

Viver mais deve ser celebrado com ufanismo, mas é necessário usufruir de qualidade de vida e de bem-estar para se chegar à idade avançada. A atenção médica à doença exige dotação orçamentaria expressiva e, mesmo assim, não alcança índices satisfatórios em decorrência do elevado custo dispendido às doenças crônicas. A saúde depende basicamente da herança genética modulada pelo estilo de vida e pelas condições do ambiente. Faz-se necessário mais atenção a salutogênese, ou seja, preservar a saúde utilizando quatro pilares essenciais: nutrição adequada, atividade física, meio ambiente saudável e vida emocional equilibrada. O corpo humano deve ser considerado como um todo, embora, por questões didática, seja dividido em órgãos e sistemas que se intercomunicam com a finalidade de assegurar a homeostase. O sistema gastrointestinal se assemelha à raiz de uma árvore, onde se processa a digestão, a assimilação de nutrientes e a excreção. O intestino é o tubo longo (com aproximadamente oito metros) constituído de um revestimento celular especifico (enterócitos). Em sua luz habita cerca de um trilhão de microrganismos, os quais são portadores de 600.000 genes codificadores da atividade de proteínas e de enzimas que, em homeostase, devem estar em equilíbrio.¹ Esse imenso contingente de bactérias, vírus, fungos e vermes imersos em uma secreção especifica constitui a denominada microbiota intestinal. Nossa saúde depende essencialmente da presença de uma microbiota que exiba predominância de bactérias que garantam a existência de um meio ácido e fermentativo na luz intestinal. Essa tarefa é desempenhada por alimentos funcionais e especialmente probióticos e prebióticos.²

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (2001),³ probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro. Atuam sobre a microbiota intestinal, resultando em aumento da resistência contra patógenos e e utilizando-se de efeitos antagônicos, de competição e de modulação imunológica. Assim, estimulam a multiplicação de bactérias benéficas residentes no hospedeiro, em detrimento da proliferação das potencialmente nocivas, reforçando o mecanismo natural de defesa do hospedeiro.4 Os principais probióticos são os gêneros lactobacillis (acidophilus, helveticus, casei, reuteri, rhamnosus, paracasei), bifidobacterium (bifidum, breve, lactis, animalis, longum, thermophilum) e, em menor escala, enterococus faecium. O íleo terminal e o cólon são locais preferenciais para a colonização dessas bactérias.5

 

Prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que agem estimulando seletivamente a proliferação ou a atividade de bactérias benéficas no cólon. Adicionalmente podem inibir a multiplicação de patógenos, assegurando a homeostase e a saúde do hospedeiro. Agem predominantemente no intestino grosso, embora exerçam atuação positiva sobre microrganismos no intestino delgado.6 Os principais prebióticos são frutanos (inulina e oligossacarídeos), sendo considerados alimentos funcionais, uma vez que exercem influência sobre processos fisiológigos e bioquímicos, podendo reduzir os riscos de diversas doenças. As principais fontes de frutanos são a chicória e a alcachofra-de-jerusalém.7

 

Simbiótico é o produto que resulta da combinação de probiótico com prebiótico. Essa associação é vantajosa, podendo resultar em melhor desempenho dos probióticos.8

 

As fibras são elementos essenciais para a função intestinal, estando incluídas na categoria de carboidratos. Podem ser classificadas como solúveis, insolúveis ou mistas; fermentáveis ou não fermentáveis. A inulina e a oligofrutose são fibras solúveis e fermentáveis que oferecem substrato seletivo para as bactérias intestinais benéficas produzirem a fermentação, levando à produção de ácido lático e de ácidos graxos de cadeia curta (ácido butírico). Como consequência, ocorrem a redução do pH local e a estimulação de proliferação celular do cólon.9

 

A microbiota saudável impede o crescimento de bactérias patogênicas, favorecendo o bem-estar e a prevenção de doenças, particularmente no trato gastrointestinal. É composta de bacteroidetes, firmicutes e actinobactérias.

 

BENEFÍCIOS DOS PROBIÓTICOS E DOS PREBIÓTICOS

 

Pode-se elencar benefícios imunológicos através da ativação dos macrófagos locais para produção de IgA secretora, modulação das citoquinas e indução de hiporresposta aos antígenos alimentares. Dentre os benefícios não imunológicos destacam-se: o incentivo à competição com os patógenos pelos nutrientes, alteração do pH local e produção de bacteriocinas para inibir os agentes nocivos. Dentre outros efeitos citam-se o estímulo à fagocitose de radicais superóxidos, à produção de mucina e ao incremento da função de barreira intestinal. 10

 

As aplicações clínicas consistentes englobam a prevenção e o tratamento da diarreia aguda, associada ao uso de antibióticos. Pesquisas ainda inconsistentes apontam para o tratamento da diarreia induzida por radioterapia e terapia do Helicobacter bylori. A microbiota saudável poderia também interferir favoravelmente na evolução da síndrome inflamatória do intestino na síndrome do cólon irritável e na prevenção do câncer do cólon.

 

Alguns estudos têm demonstrado uma interação entre fatores hereditário e ambiental, geradora de mutações e polimorfismos, afetando vários estágios de desenvolvimento da concepção ao período pós-natal precoce, podendo determinar efeitos a longo prazo na criança ou no adulto. Durante a gravidez, as funções metabólica e imunitária do feto dependem da mâe na vida intrauterina. A transmissão de bavtérias da mãe para o neonato, durante o parto e a lactação, parece influenciar a colonização do intestino da criança, condicionando consequências sobre sua saúde. Nesse contexto, a modulação intencional da composição da microbiota através do uso de probióticos durante os períodos pré-natal e pós-natal precoce tem sido proposta como estratégia para reduzir o risco de doenças. A disbiose intestinal é relativamente comum e não raro ignorada pela paciente e pelo médico.

 

O tocoginecologista deve dar atenção especial ao hábito intestinal da gestante com a finalidade de caracterizar sua microbiota, devendo intervir com a proposta de dieta alimentar adequada para favorecer a ingestão de prebióticos e administrar probióticos com o intuito de criar um microambiente intrauterino saudável, prevenindo, assim, a manifestação de doenças na infância e na vida adulta.

 

1-World Gastroenterology Organization, 2001.

 

2-Roberfroid MB. Functional food concept and its application to prebiotics.

Dig Liver dir. Rome, v.34.cup.2.p5. 105-5.110.2002.

 

3-World Health Organization, 2001.

 

4-Puupponen-Pmiã Poutanen K. Development of functional ingredients of gut

Health Trend food soi Technol. Amsterdam, v13.p.3-11.2002.

 

5-Bielecka M. Biedrzycka E. Majkowska A. Selection of prebiotics and probiotics for symbiotics and confirmation of their in vivo effectiveness.

Food res int. Amsterdam v.35, n2-3.p.125-131,2002.

 

6-Matilla Sandhoim T. Saareia M. Technological challenges for fature probiotics foods int. Diary J. Amsterdam, v12.p.173-182,2002.

 

7-Kaur IP. Chopra K. Saine A. Probiotics potential pharmaceutical applications

Eur J Pharm Sci, Amsterdam v.15.p.109-116.2002.

 

8-Holzapfel WH, Schillinger V. Introduction to pre and probiotics. Food res

Int, Amsterdam, v.35.n.2-3.p.109-116.2002.

 

9-Carabin IG, Flamm WG Evaluation of safety of inulin and oligofructose as dietary fiber. Regul toxicol. Pharmacol, New York, v.30.p.268-282. 1999.

 

10-Guarner F. Malagelada JR Gut fiora in health and disease

Lancet,v.360.p.512-518.2003.

Prof. Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira
Diretor da Profert Medicina Reprodutiva – SP
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